sábado, 4 de agosto de 2012

Que se faça o sol

Não há nada em mim que possa ser admirado,
Corrompido ou comprado.
Não tenho um corpo escultural,
 inteligência fenomenal
ou troféus em meu mural.
Só planos e sonhos,
devaneios e ilusões e fé em outras criações...
Criações da mente, de um mundo autônomo
que se forma a cada pensamento
a cada vez que olho pela janela e
vejo um mundo que não foi construído por mim e nem para mim.
Não há nada lá fora que valha a pena guardar.
A poluição sonora perturba a paz e adoece a alma
Não se ouve mais o canto dos pássaros,
Uma sinfônica de buzinas ocupam seu espaço
O verde das árvores está se extinguindo
Arranha-céus agora enfeitam o horizonte acinzentado os dias
O vento vem quente do norte levando com ele as folhas secas do outono
espalhando lixo pela cidade
Deixo a poeira entrar no meu lar, penetrar em meus pulmões
até não poder mais respirar.
É tarde. O diagnóstico é de metástase.
O que mais quero é que esse inverno vá embora e venha uma nova estação.
Deixar o sol brilhar e reanimar os batimentos do meu coração.
Que se faça o sol em você e em mim.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Leia me

By Débora Aquino



Eu sou fácil de ler
Difícil de compreender
Estou desiludida...não com A Vida.
Estou decepcionada, com a minha espécie, filo, reino e família.
Sou portadora de lágrimas invisíveis
Carrego um pulsar triste no peito
A raiva faz circular sangue quente em minhas veias
E o meu destino está tão nítido quanto um arco-íris numa chuva fraca
Sinto-me só quando me perco no meio da multidão
Não gosto desse calor humano
Prefiro ter papel e lápis como companhia
Tentar ser ambidestra, desatrofiar a mão esquerda e aprender a desenhar
Usar os neurônios sem precisar a dignidade violar
O corpo deve permanecer imaculado
e se entregar somente a concupiscências de Amor.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Vivendo à sombra de Rita Lee


Um diário de uma vizinha da rainha do Rock torna-se um grande achado e alguém resolve publicá-lo.
A vida de Rita Lee Jones, até seus dias atuais, é narrada por uma figurante desconhecida, mas que viveu boa parte de sua vida em função das viagens, paixões e alucinações deste grande ícone do rock 'n roll brasileiro, mais conhecida como Rita Lee.

Por trás da inveja, cobiça e obsessão de Bárbara Farniente está uma verdadeira fã incondicional que anseia por um mínimo de contato com sua vizinha, a quem admira desde pequenina, acompanhando a trajetória da vida pessoal e íntima de Rita Lee como uma sombra malígna desejando tanto o seu bem quanto o seu mal.

A visão de Bárbara Farniente através da janela de sua casa, espionando a vida da vizinha que em breve se tornaria uma RockStar é trágica, cômica, emocional e  real! Arranca lágrimas, risadas e saudades...Saudades de uma época na qual qualquer pessoa nascida após os anos 1970 gostaria de ter existido, para testemunhar um show dos Mutantes e Novos Baianos no auge de suas carreiras.

Por isso recomendo esta deliciosa leitura:
Título: Rita Lee Mora Ao Lado
Autor: Henrique Bartsch

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Em busca de TU e MIM

O que Mim não faz?
Mim não faz nada!
Mim não conjuga verbo,
Mim não pode ser atingido pela raiva.
Mim é um pronome oblíquo astuto e dissimulado.
Perdeu a vergonha por ser invocado, caiu na boca do povo
e não tem medo de ser hostilizado.
Mim não tem habilidades, qualificações ou
referências para ocupar o cargo de um pronome mais imponente.
Mim não pode comprar comida para "Mim" comer, porque deve-se respeitar a hierarquia e comprar comida para Eu comer.
Eu posso fazer tudo!
Eu posso ser, estar, nadar, correr, falar e até calar
a voz daquele pronome torto de baixo escalão
que insiste em ser convocado nas minhas deixas importantes.


Ilmo Sr. "Mim",

Queira por obséquio, recolher-se a sua insignificância e só apareça na minha oração quando houver necessidade de suas preces (serviços).

Atenciosamente,

Pronome de Alto Nível Hierárquico "Eu".